Portoghese, Português

Portoghese, Português

Alcune poesie di Davide Rondoni tradotte in portoghese, a cura di Francesca Cricelli,
presentate a San Paolo (Brasile) nel novembre 2016.

Novembro 2016, traduções de Francesca Cricelli apresentadas em São Paulo (Brasil).

1.

e carezzarti
i capelli fino
all’alba, fino
alla fine

carezzarti il viso di cerbiatto
ferito

il fianco betulla
il fianco infinito

essere tuo
essere nulla

e acariciar
teus cabelos até
o alvorecer, até
o fim

acariciar-te o rosto de corça
ferida

o quadril bétula
o quadril infinito

ser teu
ser nada

2.

Firenze sarà mille Firenze
sotto la pioggia
la fretta dei passanti, la quiete antica
dei venditori indiani di ombrelli

sarà

magnifica disperata
Firenze dilavata di ogni
splendore, e tu, così bella
ti incoronerà
regina in pietra nuda e acqua
fiammante per i fari d’auto

e le risate sospese delle americane.

Firenze esplode al tuo passaggio, salta
per aria nelle sue facciate, i ponti,
contrade, grandi negozi,

quando

passi tu, escono feriti
i custodi coi Botticelli sulle spalle.

E le colline di san Miniato rubano fiamme
alle più ubriache tra le stelle

una notte d'addio, di silenzio
che comprende pienamente il destino, notte
dove Firenze si abbatte su se stessa
riempie l'Arno di segreti e di luce,

e io

decido,
reciso da te
di non cercarti più per amore
ma per il puro dolore della bellezza -

vedere Firenze debolissima
fortezza, diventare zingara
al tuo passaggio esibire l’ultima
rinascimentale delicatezza
brillando sulle mine
del tuo sguardo, del fiato.

Sono restato di lato,
fumo qualcosa contro il muro o contro
il niente. Ho capito, Firenze,
perdere e ritrovare il cuore si può
se ti esplode ogni bellezza conosciuta
dietro la testa. E sì,
vedere ancora

di qui

l’amore passare.

Possiamo soltanto amare
il resto non conta, non
funziona,

al mattino appaiono

la tazza, il vecchio pino, le zolle umide, il fumo
dell’alito mentre apri l’auto
nel gelo. Potevano non apparire, non arrivare
più qui, alla riva degli occhi. E l’estate
c’era, c’è nella calda bruna memoria
dei rami tagliati,
i visi diventano ricordi

le voci gridate stracci silenziosi –

i denti conoscono il sapore
del niente, e l’oblio che ha portici
e portici infiniti.

Possiamo soltanto amare
strappandoci felicemente figli dalla carne
parlando d’amore continuamente
ubriachi, feriti, vili
ma con gli occhi lucenti come laser
di fiori splendidi
e il canarino nel palmo della mano.

Mormorare come dare baci nell’aria.

Il rametto profumato non si raddrizza
con i colpi della nostra ira, lo sguardo
di tuo figlio non perde il velo di tristezza
se glielo togli mille volte
dal viso…
Possiamo soltanto amare
fino all’ultimo nascosto spasmo
che nessuno vede
e diviene quella specie di sorriso
che si ha nell’abbraccio finalmente
di morire come scendendo nell’acqua.

Le stelle a miriadi saranno testimoni, e i venti
passati una volta accanto
sulla gioia profonda delle ossa
diranno: era fatto di allegria, amava,
oppure non diranno niente e poi niente
per sempre.

Possiamo soltanto amare,
il resto è il teatro amaro
dell’impotenza sotto il sole giaguaro.

Florença será mil Florenças
sob a chuva
a pressa dos passantes, antiga quietude
dos indianos vendedores de guarda-chuvas

será

magnífica desesperada
Florença lavada de todo seu
esplendor, e tu, tão bela
irá coroar-te
rainha de pedra nua e água
flamejante pelos faróis dos carros

e as risadas suspensas das americanas.

Florença explode com o seu passar, salta
no ar com suas fachadas, as pontes,
contradas, as grandes lojas

quando

passas tu, saem feridos
os guardas com os Botticellis sobre as costas.

E as colinas de são Miniato roubam as chamas
das mais bêbadas estrelas

uma noite de adeus, de silêncio
que entende plenamente o destino, noite
na qual Florença extingue-se sobre si
enche o Arno com seus segredos de luz,

e eu

decido,
partido
de não mais procurar-te por amor
mas pela pura dor da beleza –

ver Florença tão fraca
fortaleza, tornar-se cigana
com o teu passo exibir sua última
renascentista delicadeza
brilhando sobre as minas
do teu olhar, teu hálito.

Fiquei de lado,
fumo alguma coisa contra o muro contra
o nada. Entendi, Florença,
perder e reencontrar o coração é possível
se te explode toda beleza conhecida
atrás da cabeça. E sim
ver ainda

por aqui

o amor passar.

Podemos somente amar
o resto não conta, não
funciona

de manhã surgem

a xícara, o antigo pinho, os tamancos úmidos, a fumaça
do hálito enquanto abres o carro
no gelo. Podiam não aparecer, não mais
chegar aqui, à margem dos olhos. E o verão
estava lá, lá na cálida memória morena
dos galhos aparados,
os vultos tornam-se recordações

as vozes urradas silenciosos farrapos –

os dentes conhecem o sabor
no nada, e o esquecimento dos pórticos
e pórticos infinitos.

Podemos somente amar
desgarrando-nos felizes os filhos da carne
continuamente falando de amor
ébrios, feridos, vis
mas com os olhos reluzentes como um laser
de esplendidas flores
e o canarinho na palma da mão.

Murmurar como dar beijos ao ar.

O pequeno ramo perfumado não se endireita
com os golpes da nossa ira, o olhar
do teu filho não perde o véu de tristeza
se o removes mil vezes
do seu rosto...
Podemos somente amar
até o último espasmo escondido
aquele que ninguém vê
e se torna uma espécie de sorriso
que se tem no abraço finalmente
morrer como descendo as águas.

Miríades de estrelas serão testemunha, e os ventos
que uma vez passaram ao lado
do júbilo profundo dos ossos
dirão: era feito de alegria, amava
ou não dirão nada e mais nada
para sempre.

Podemos somente amar,
o resto é o teatro amargo
da impotência sob o sol-jaguar.

3.

Trovandomi a NY per presentare una traduzione nuova delle poesie di Leopardi, ripassando alcune cose in aereo, trovai che il suo estremo strambo amico Ranieri racconta che le ultime parole di L prima di morire furono le dolcissime, tremende: “Non ti vedo più”.

Encontrando-me em Nova York para apresentar a nova tradução das poesias de Leopardi, estudando algumas coisas no avião, encontrei que seu extremo e estranho amigo Ranieri conta que nas últimas palavras de Leopardi, antes de morrer, foram doces e tremendas: “Não te vejo mais”.

 

Mi piace New York quando finisce
nella luce,
il ventaglio che si apre sopra le deviazioni
e le cime
a Battery park o Riverside,

il bianco favoloso incendio
che la compie
sopra ogni slancio

è là che guardavo per cercare
te, e non avere solo
il ragno delle città addosso
tra chi scarica i camion di pesce congelato
che brilla sotto gli schermi giganteschi
i passi frettolosi controvento - -

una frase di Leopardi mi ha dominato
nella meravigliosa rosa di vetro:
non ti vedo più.
La sua ultima cosa
prima di morire.

E io non la voglio mai dire.
Sempre ti vedrò,
mio amore alla fine di ogni maestà
anche dai ponti che portano via
nel fuoco, nei ghiacci
alla fine di tutte le città

Gosto de Nova York quando na luz
termina,
o leque que se abre sobre os desvios
e píncaros
em Battery park ou Riverside,

o branco fabuloso incêndio
que a cumpre
sobre cada arremesso

é lá que olhava para buscar-te,
e não ter somente
a aranha da cidade sobre mim
entre os carregadores de peixe congelado
que brilham sob as telas gigantes
os passos apressados contra o vento - -

uma frase de Leopardi me domina
na maravilhosa rosa de vidro:
não te vejo mais.
Sua última coisa
antes de morrer.

E eu não quero dizê-la nunca
Sempre vou te ver,
meu amor, no final de toda majestade
também das pontes que levam
embora no fogo, no gelo
no fim de todas as cidades

4.

L’amore non è giusto

il ventaglio duro
splendido dei rami

si apre contro
il viola e arancio
mattini, sere

L’amore è un albero ma il fusto
s’inabissa, deve sparire
per nutrire
lo slanciato assenso che dà all’aria

e lei in un felice incendio lo incorona -

l’amore è un ragazzo che quando gli parli
fa un altro discorso
occhi di lupo bianco, nubi

fa nascere cose che non finiscono qui

fuori dalla giustizia, in terra e in cielo

- e brucia sempre nell’aria il suo grido,

come arde un velo

O amor não é justo

o duro e esplêndido
leque dos galhos

abre-se contra
o violeta e laranja
manhãs, noites

O amor é uma árvore, mas o tronco
se abisma, deve desaparecer
para nutrir
o esguio consentimento que dá ao ar

e ela num feliz incêncio coroa –

o amor é um garoto, quando falas com ele
responde outra coisa
olhos de lobo branco, nuvens

faz nascer coisas que não terminam aqui

fora da justiça, na terra e no céu

- e queima sempre no ar o seu grito,

que arde como um véu

5.

Quel che un uomo può dire al cielo o a una donna

Non ridarmi più indietro
quel che mi hai rubato, la luce ultima,
la quiete, via
l’albero esploso della mente

non ridarmi più quel che mi hai
strappato

non ridarmi indietro niente, meglio
finire in te che morire me
in me solo

tieniti tutto, dimenticami -
perdimi
dentro di te, completamente

O que um homem pode dizer ao céu ou a uma mulher

Não me devolva
o que me roubaste, a última luz,
a quietude, xô
a árvore explodida da mente

não me devolva mais o que de mim
arrancaste

não me devolva nada, é melhor
terminar em ti do que morrer eu
em mim sozinho

toma-te tudo, esqueça-me -
toma-me
dentro de ti, por completo

Poesie tradotte